Caderno de leitura São Paulo · 2017

Um guia para abrir seu negócio no pós-capitalismo

Empreendedorismo para subversivos

Facundo Guerra começa tentando te dissuadir. O que sobra depois do aviso é uma tese: negócio é posição, não planilha.

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Facundo Guerra Planeta Estratégia · 2017 7 capítulos Elogio ao fracasso

Antes de abrir, pergunte por que você não deveria.

O livro não é um passo a passo. É um tiro de advertência. Guerra parte de uma constatação incômoda: a maioria dos negócios falha. Em vez de vender método, ele transforma o próprio fracasso em pergunta. Empreender, aqui, não é executar um modelo. É sustentar uma posição no mundo.

“Empreender é um caminho, não um destino.”

Facundo Guerra
3Ps antes dos 4 Ps de Kotler
6meses de caixa para atravessar o início
0público-alvo: existe comunidade

Propósito, política e problema. Nessa ordem.

Guerra inverte a lógica do marketing. Antes de preço, praça, produto e promoção, o negócio precisa responder a três forças que sustentam a criação.

01

Propósito

A razão que te faz empreender, não a justificativa que você inventa depois. Dinheiro pode entrar na lista, mas não sustenta sozinho. O propósito precisa estar em cada etapa do negócio, não na plaquinha da recepção.

“Organizações sem propósito parecem galináceas quando lhes cortamos a cabeça.”

02

Política

Toda relação é política: com as palavras, as coisas e o outro. Consumir é escolher um mundo. Marcas precisam escolher um lado, mas só podem falar do que o propósito lhes dá legitimidade.

“Seu cartão de crédito tem mais poder que seu título eleitoral.”

03

Problema

Procure a lacuna entre o presente imperfeito e o futuro desejado. A solução nasce do problema. Sem um problema legítimo, inovação é fetiche. Gaste mais energia equacionando a pergunta do que correndo para a resposta.

“Problema é essa lacuna entre dois estados.”

O que fazer com a ideia (e com o dinheiro).

A parte prática do livro é uma coleção de anticonselhos. Menos rede de proteção, mais consciência do risco.

  1. Encontre o problema antes da solução.

    Teste com a comunidade. Crowdfunding e crowdsourcing valem mais que um business plan de ficção científica.

  2. Inove na aplicação, não no fetiche.

    Invenção é ideia. Inovação é aplicação comercial pouco ortodoxa. O novo pelo novo não resolve problema nenhum.

  3. Saiba o caixa de cor.

    Seis meses de custo operacional, mais pró-labore. O caixa não é seu: não tire o salário do que sobra no fim do mês.

  4. Escolha sócios complementares.

    Não amigos, não cônjuge, não família. Gente que diverge na técnica e converge na ética.

  5. Trate o ponto como narrativa.

    Faça uma arqueologia do espaço. A loja é um vaso do produto, não um caixa. O lugar precisa conversar com a história que você quer contar.

  6. Contrate por ética e curiosidade.

    Currículo é ficção. Três qualidades: curiosidade, força de vontade e paciência. O resto se aprende.

  7. Crie um plano Z.

    Nunca invista tudo. Separe o que você aceita perder e saiba o stop loss. Reputação é o bem mais valioso.

  8. Reserve energia para quem importa.

    A unidade-pina: uma hora com a filha como régua de qualquer decisão. Medite. O negócio não pode eclipsar a vida.

Se seguir a corrente, acabará afogado.

Facundo Guerra · Empreendedorismo para Subversivos

As lições mais caras vêm dos erros.

Guerra abre o próprio histórico: expansão sem freio, vaidade, finanças relegadas, planilhas que viraram ficção. O valor do livro está menos na fórmula e mais no preço que ele pagou.

Expansionismo
Dois negócios por ano, casamento desfeito, saúde mental em frangalhos. Se der certo, goze. Expandir por vaidade cobra juros.
Vaidade
O negócio vira um vaso do ego. Quando vai mal, a imagem despedaça junto. Sem autocrítica, o tropeço vira queda.
Finanças
O capital não aceita desaforo. Criar sem operar é receita para descobrir buracos quando a crise chega.
Business plan
Modelagem virou ficção científica. Enquanto o Excel era refinado, o ponto foi alugado por um concorrente e o timing se perdeu.
Público-alvo
Não existe. Existe comunidade com opinião própria. Produto é a solução de um problema, não uma categoria de marketing.
Obsessão
Quinze quilos perdidos em dois meses. O negócio não pode eclipsar família, amigos, corpo e mente.

“O caixa é rei.”

Facundo Guerra

Sete capítulos, uma pergunta.

O livro alterna memória, ensaio e manual. O fio condutor é sempre o mesmo: o que faz um negócio merecer existir?

  1. 01

    Fundamentos

    Com quantos ossos se faz um empreendedor.

    Ponto de partida
  2. 02

    Quer empreender? Pense muito a respeito

    Por que a maioria falha, e por que o timing vale mais que a certeza.

    O aviso
  3. 03

    O meu rolê

    A trajetória do autor: executivo, Theodora, Vegas.

    Memória
  4. 04

    Propósito, política, problema

    A tríade que sustenta a criação, com São Paulo como laboratório.

    A tese
  5. 05

    Finalmente o guia

    Caixa, sócios, ponto, narrativa, time, plano Z.

    A prática
  6. 06

    Lições de meus fracassos

    Os erros que custaram dinheiro, casamento e saúde.

    O preço
  7. 07

    Palavras finais

    Ser empreendedor é um diagnóstico.

    O fim

Frases para levar.

“O medo, esse veneno que mata bem devagarinho.”

“Inovação é uma covardia competitiva.”

“Empreender é narrar.”

“O produto é o evangelho.”

“Você nunca saberá se é um erro ou uma oportunidade.”

“Timing é tudo.”